Por: Fernanda Ricci
A aposentadoria sempre foi vista como um marco de segurança e estabilidade na vida do trabalhador. No entanto, nos últimos anos, esse momento tem exigido cada vez mais atenção, planejamento e informação. Com a chegada de 2026, muitos segurados do INSS se deparam com a sensação de que “as regras ficaram mais difíceis”. E, de fato, para grande parte das pessoas, o acesso ao benefício passa a demandar mais tempo de contribuição e idade mais elevada.
Essas mudanças, porém, não decorrem de uma nova reforma previdenciária ou de uma decisão recente do governo. Elas são resultado direto da aplicação gradual das regras de transição previstas na Emenda Constitucional nº 103/2019, que redesenhou o sistema previdenciário brasileiro. Desde então, o modelo adotado prevê ajustes automáticos e progressivos, especialmente nas modalidades de aposentadoria destinadas a quem já contribuía antes da reforma.
Uma das regras mais impactadas em 2026 é a chamada idade mínima progressiva. Nessa modalidade, o tempo de contribuição permanece o mesmo, mas a idade exigida aumenta a cada ano. Em 2026, as mulheres precisam atingir 59 anos e seis meses de idade, além de 30 anos de contribuição. Para os homens, a exigência passa a ser de 64 anos e seis meses de idade, com pelo menos 35 anos de contribuição. Para quem estava próximo de se aposentar, esse acréscimo pode representar meses, ou até anos a mais de trabalho.
Outra regra que sofre avanço anual é a regra de pontos, que soma a idade do segurado ao tempo de contribuição. O objetivo desse modelo é equilibrar o tempo de permanência no mercado de trabalho com a expectativa de vida. Em 2026, a pontuação mínima exigida passa a ser de 93 pontos para mulheres e 103 pontos para homens, sempre respeitando o tempo mínimo de contribuição de 30 e 35 anos, respectivamente. Essa progressão, embora prevista desde 2019, ainda surpreende muitos trabalhadores que não acompanham de perto a legislação previdenciária.
Nem todas as regras de transição, contudo, sofrem alterações anuais. As chamadas regras de pedágio permanecem inalteradas em 2026 e continuam sendo uma alternativa relevante para determinados perfis de segurados. O pedágio de 50% aplica-se àqueles que, em novembro de 2019, estavam a até dois anos de completar o tempo necessário para se aposentar. Nessa hipótese, não há idade mínima, sendo exigido apenas o cumprimento do tempo que faltava acrescido de metade desse período. Já o pedágio de 100% exige que o segurado trabalhe o dobro do tempo que faltava em 2019, com idade mínima fixa de 57 anos para mulheres e 60 anos para homens.
A regra definitiva de aposentadoria por idade também não sofreu alterações. As mulheres continuam precisando de 62 anos de idade e pelo menos 15 anos de contribuição. Os homens, por sua vez, devem alcançar 65 anos de idade e cumprir 20 anos de contribuição, ressalvada a regra de transição que mantém o mínimo de 15 anos para aqueles que já contribuíam antes da reforma.
Os professores, que possuem regras diferenciadas em razão da natureza da atividade, também sentem os efeitos do escalonamento previsto na reforma. Em 2026, as exigências de idade mínima e pontuação aumentam, mantendo a lógica de progressão gradual. Apesar das reduções em relação às regras gerais, o impacto é significativo para quem não acompanha o calendário previdenciário com atenção.
O mesmo ocorre com os servidores públicos federais, que seguem regras próprias, mas igualmente vinculadas à Emenda Constitucional nº 103/2019. Para esse grupo, a principal alteração em 2026 está no aumento da pontuação exigida, além da necessidade de cumprimento de requisitos específicos, como tempo mínimo no serviço público e no cargo efetivo.
Diante desse cenário, a aposentadoria deixou de ser um evento automático e passou a exigir uma postura ativa do trabalhador. A escolha equivocada da regra pode resultar em perda financeira significativa ou em atraso desnecessário na concessão do benefício. Por isso, o planejamento previdenciário tornou-se uma ferramenta essencial, capaz de identificar a melhor estratégia, corrigir falhas no histórico contributivo e antecipar riscos.
O próprio Ministério da Previdência orienta que o segurado utilize o simulador disponível no Meu INSS, que analisa todas as regras de transição e indica as possibilidades de aposentadoria. Ainda assim, a interpretação correta dos resultados e a análise individualizada do histórico contributivo são fundamentais para evitar surpresas.
Em 2026, mais do que entender o que mudou, é indispensável saber como essas mudanças afetam cada caso concreto. Informação de qualidade, orientação técnica e planejamento são os principais aliados de quem deseja se aposentar com segurança e tranquilidade.
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As regras de transição continuam avançando, e pequenas decisões hoje podem impactar diretamente o valor e o momento da sua aposentadoria. Analise seu histórico contributivo, utilize os simuladores oficiais e busque orientação técnica antes de escolher a regra aplicável ao seu caso. A Econet pode lhe auxiliar nesse sentido com uma equipe especializada. Entre em contato com o time do comercial ou enviem uma mensagem pelo WhatsApp. Planejamento previdenciário não é antecipar a aposentadoria, é evitar perdas.









